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Reflexão: São Francisco e a Senhora Pobreza

Dos dias 9 a 12 de Julho as Irmãs da etapa de formação inicial ( Clara, Elizabeth e Luzia), juntamente com Ir. Anésia  Arruda, mestra de noviça, estiveram em Campinas, na Casa Betânia – das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, para um momento de estudo, partilha e aprofundamento dos textos fontes.

INTRODUÇÃO:

O Sacrum Commercium é uma literatura desinteressada, possivelmente escrito em 1227, após a morte de São Francisco. O título traduzido significa Comércio Sagrado, ou seja, troca, comportamento de troca mútua, nos remete a oferta e procura,  precisa- se de valores, onde ninguém quer perder. Nesse texto fonte, São Francisco é o negociador, buscando fazer um bom comércio. Jesus também quer transmitir, ou seja ‘vender’ seu melhor produto, a Senhora Pobreza. verificar como aparecem, na obra, os valores humanos, cristãos e do franciscanismo primitivo; e indagar se tais valores são relevantes para a organização da sociedade, nos dias atuais.

É nesta dinâmica de recolher que iremos discorrer sobre os capítulos estudados no “Encontro dos interessados na leitura de textos fontes”.

CAP. I – O Bem – Aventurado Francisco interroga acerca da Pobreza.

        O capítulo inicia com Francisco na sua busca pela Pobreza, “como um explorador curioso, ele começou a rondar pelos becos e praças da cidade, procurando diligentemente a que era a amada de sua alma. Interrogava os que estavam parados, perguntava aos que chegavam, dizendo: Será que não vistes aquela que minha alma ama?” São Francisco interrogando acerca da Pobreza, no sentido de ver a Pobreza como uma interrogação e não como informação apenas, o que causa muita estranheza. Ele interroga para adentrar cada vez mais, para se cercar dela, servindo-a, ou seja, viver como pobre e com os pobres, imitando o Cristo pobre do Evangelho, em qualquer tempo e lugar.

Evidenciamos, então, que o núcleo desse capítulo é a busca acerca da pobreza e onde se pode servi-la resultando num processo difícil e demorado.

No (vers. 14) relata que Francisco foi ao campo, lugar tranquilo, sereno e calmo, lugar do silêncio, do campo interior, da floresta interna. Vemos que, no ordinário de nossas vidas aceleradas não dá para ver e reconhecer o extraordinário.

Nessa procura Francisco “vê dois anciãos” que representa o Antigo e Novo Testamento. A Palavra de Deus agindo na História. Os anciãos são nossa memória viva, também são as origens. A formação franciscana é cercada de continuidade, de tradição, a herança por excelência.Esse capítulo nos leva a questionamentos: Como estou explorando minha vocação? Como estou vivendo para ser continuidade?

CAP. II – Francisco pede que lhe indiquem onde mora a Pobreza.

         O segundo capítulo mostra a busca desse caminho,sendo que a busca por indicação transforma, enquanto que a busca por informação só traz acúmulo na memória.

        Ainda, na sua procura pela Senhora Pobreza, dois anciãos  indicam a

Francisco que “‘ela subiu a um grande e alto monte’”. A imagem do monte retoma a simbologia do encontro com Deus, da proximidade com o Divino. Grandes personagens bíblicos como Abrão, Moisés, Elias e o próprio Jesus Cristo têm uma relação com Deus, nestes lugares, nos cimos dos montes. Quando é indicado a Francisco que a Pobreza habita o monte é o mesmo que dizer que ele a encontrará junto de Deus no monte; logo, encontrá-la, é encontrar-se com o Divino.

E, aqueles anciãos lhe orientaram sobre a necessidade do despojamento total,vestes e calçados próprios “despojar-te das vestes de festa” e da necessidade de ter companheiros consigo, pois a subida ao monte,para o encontro com a Pobreza era árdua e difícil.

Esse capítulo leva nos questionar: Estou fazendo um caminho por indicação ou de  apenas busca de informação? Quais são as vestes que uso na busca vocacional?

 CAP. III – O Bem – Aventurado Francisco exorta os Irmãos.

        O Bem – aventurado Francisco escolhe companheiros fieis e se dirigiu prontamente para o monte. Este capítulo fala da importância da vida fraterna, a importância de estamos em unidade para percorrer o caminho. Os companheiros conversavam entre si: quem tem coragem de subir a este monte e quem chegara até o cume. A partilha e o dialogo e a abertura é essencial na vida comunitária e fraterna. Francisco ouvindo a conversa dos companheiros diz: “Confortai-vos no Senhor e no poder de sua virtude e vos será fácil tudo o que for difícil. Tenho que dar abertura diante da correção fraterna para poder dar em troca, cada um tem que se animar e animar o outro, mas pra ter esse animo temos que percorrer um caminho. Se eu tenho o fogo não posso deixar apagar, temos que ser como o botão de rosa se abrindo aos poucos.

 

CAP. IV _ A Pobreza se admira da facilidade como eles sobem.

“Já faz muito tempo que não vi tais pessoas e não observei homens tão desembaraçados de todos os pesos”.

Admirar é mirar o olhar, ter foco para onde devo olhar. Mas para subir  a montanha é preciso despojamento de tudo o que impede de caminhar, é um desnudamento. E vencendo a si mesmo o caminho vai tornando-se leve, fácil, flexível, animado e realizado. Ao ver-nos nesta busca tão eficiente e vigorosa, agora é a Senhora Pobreza que mira olhar para nós E com sua autorização Certifica-se qual é o nosso desejo em buscá-la, e  em bênção de doçura, ela vem ao nosso encontro e  revela-nos quem  ela é e a onde encontrá-la.

Com gratidão, partilhamos um pouco de nossas reflexões desse encontro.

Colaboração:
Irmãs Anésia, Clara, Luzia e Elizabeth (noviça)